
Juiz paga lanches para os réus durante julgamento em Mairinque, SP. Réus julgados em Mairinque tiveram o almoço bancado pelo juiz - G1, 10/02/2012 17h39.
O juiz Flávio Roberto de Carvalho, da 1ª Vara de Mairinque, no interior de São Paulo, teve de colocar literalmente a mão no bolso durante o julgamento de 38 pessoas acusadas por tráfico de drogas que está sendo realizado no Fórum da cidade nesta sexta-feria (10).
Sem receber verba do Estado para a alimentação dos réus e do pessoal que realizou a escolta dos presos, que estavam presos em quatro cidades diferentes, o juiz decidiu bancar lanches com queijo e presunto para todos com seu próprio dinheiro.
Segundo advogados dos presos, o próprio juiz informou, antes de anunciar a pausa para almoço, que pagaria pela refeição. A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça informou que só há orçamento para refeições em caso de Tribunal do Júri. Neste tipo de audiência de julgamento, como a que ocorre em Mairinque, não há verba prevista.
Segundo o TJ, isso se deve ao fato de audiências dessa natureza serem mais rápidas, em casos normais. O julgamento desta sexta-feira, porém, foi iniciado por volta das 10h e, segundo as previsões mais otimistas, se estenderá até as 23h, pelo menos.
Não foi informado o valor gasto pelo juiz com as lanches que foram consumidos durante a pausa de 45 minutos para almoço.
Entenda o julgamento
Os 38 réus já estavam detidos mediante mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça de Mairinque. Eles foram presos entre maio e dezembro de 2011 em Mairinque, São Paulo e na região de Sorocaba.
Segundo a investigação da polícia, a quadrilha pretendia formar um cartel que dominasse o tráfico de drogas ao longo das cidades cortadas pela rodovia Raposo Tavares (SP-270), que liga São Paulo à região oeste do Estado.
O julgamento provocou um reforço na segurança da cidade, que tem cerca de 45 mil habitantes. Como os réus integram uma facção criminosa que age dentro e fora dos presídios e entre os presos há lideranças desse grupo, havia o temor de que pudesse haver uma tentativa de resgate de presos planejada pelo crime organizado.
O excesso de movimento provocou irritação em alguns moradores, que tiveram seu trajeto rotineiro prejudicado, e chamou a anteção de outros, que se assustam com o grande movimento de carros de polícia nos arredores do Fórum, no centro da cidade.
Líder de quadrilha de Mairinque, SP, tinha tira-manchas para nota tingida. Segundo polícia, com solução química ele tirava tinta de notas furtadas. Ferramenta de segurança de caixas eletrônicos segue sem alterações. Mayco Geretti. Do G1 Sorocaba e Jundiaí. G1, 09/02/2012 13h30
Quando Dinho foi preso pelo Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) no ano passado, os policiais encontraram com ele um recipiente onde as notas eram colocadas e ficavam imersas na substância. A análise técnica mostrou que o produto era uma espécie de alvejante, que conseguia limpar as notas sem danificá-las.
"Ele foi o homem que teria difundido essa técnica entre os criminosos. Hoje esse sistema de marcação de notas de caixas automáticos já não é mais tão eficaz", afirma o delegado Alexandre Cassola, que iniciou a investigação que apurou toda a atuação da quadrilha comandada por Dinho.
Apesar das autoridades policiais já terem comunicado aos bancos sobre o procedimento utilizado pelos criminosos, a tinta usada no sistema antifurto dos caixas continua sendo a mesma.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É um absurdo. Isto mostra a inoperância do Poder Executivo que deveria arcar com os custos do deslocamento e alimentação dos apenados, e do Poder Judiciário que não foi forte o suficiente para prever e exigir tal obrigação. É mais uma evidência da desarmonia entre os Poderes de Estado. A boa notícia é que teve um juiz de bom senso e com recursos próprios para bancar a conta. Vai ser ressarcido, com certeza. Mas fica transparente o desacerto.
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