
SUA SEGURANÇA | Humberto Trezzi - ZERO HORA, 13/08/2011
Máfia de combustíveis, de vans, grupo de extermínio formado por policiais, agiotas, bicheiros. É longa a lista de inimigos colecionados pela juíza Patrícia Acioli, metralhada em Niterói (RJ). Ela já tinha sido vítima de outro atentado, na Baixada Fluminense, quando atuava como defensora pública. Da defesa de acusados de crimes, ela passou a alvo.
O que salta aos olhos é que seus inimigos estavam longe de ser pés de chinelo, aquele tipo de criminoso sem pedigree. Não, via de regra a juíza julgava o que se chama crime organizado – aquele sem improvisos e que conta, muitas vezes, com colaboração de servidores públicos e autoridades.
O assassinato de Patrícia expõe o quão longe chegam os tentáculos e a audácia das organizações mafiosas no Brasil. Ela não foi a primeira vítima. Em março de 2003, o juiz Alexandre Martins de Castro Filho foi morto a tiros em Vila Velha (ES). Após longa investigação, descobriu-se que ele tinha sido vítima de um complô da famosa Escuderie Le Coq, um esquadrão da morte formado por policiais e ex-policiais. Anos depois, um juiz paulista foi executado a mando da facção criminosa PCC. O preocupante nisso tudo é que o tempo entre cada morte de magistrado está se estreitando.
Antes que os bandidos comemorem muito, é bom ficarem cientes: nenhum desses casos ficou impune. Executores e alguns mandantes foram condenados (sete condenados no caso capixaba, três à espera de julgamento). O que mostra que o Brasil não é a Colômbia, onde durante a década de 90, magistrados compareciam às audiências com o rosto no escuro ou de capuz, para que os traficantes não conhecessem o rosto de quem os estava julgando.
Essa era colombiana passou. Tomara que nunca chegue ao Brasil. Já basta ter juízes vivendo com escolta diuturna. Para evitar a escalada de impunidade, é imperioso que as polícias se unam, vasculhem e analisem o pantanal de inimigos que Patrícia colecionou.
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