Aqui você vai conhecer as mazelas que impedem o Poder Judiciário brasileiro de desembainhar a espada da severidade da justiça para cumprir a função precípua da aplicação coativa das leis. Sem justiça, as leis não são aplicadas e deixam de existir na prática. Sem justiça, qualquer nação democrática capitula diante de ditadores, corruptos, bandidos, rebeldes, justiceiros, imorais e oportunistas. O Brasil precisa de uma justiça coativa, proba, célere, séria, confiável e comprometida com as questões nacionais, de direito e de ordem pública, integrada no Sistema de Justiça Criminal.
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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

ÓPERA BUFA



ZERO HORA 30 de setembro de 2013 | N° 17569


PAULO SANT’ANA



Refletindo melhor, foi brilhante a atitude do ministro Celso de Mello ao dar voto decisivo a favor dos mensaleiros pelos embargos infringentes.

Ele conseguiu jogar para a plateia antes, quando condenou rigorosamente todos os mensaleiros, inclusive José Dirceu, mas também agora jogou para adular o poder, decidindo com seu voto que o julgamento vai para as calendas, não haverá mais justiça.

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Precisa ser mestre para fazer o que Celso de Mello fez: com uma mão agradou aos cidadãos que clamam por justiça, com a outra afagou os poderosos, que só sobrevivem com base na injustiça.

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O ministro Celso de Mello e o Supremo Tribunal Federal nos enganaram muito bem com um excelente jogo duplo. São mestres na cena oblíqua de agradar ao mesmo tempo aos vassalos integrantes da opinião pública e aos senhores do poder que se banham nas águas cálidas da impunidade.

Esse gesto do ministro Celso de Mello e do STF carrega o dom da ventriloquia, agrada à plateia e aos donos do teatro ao mesmo tempo, dá uma martelada no prego e outra na ferradura, magistral prestidigitação!

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Eu, veterano otário, por exemplo, saio realizado e contente com essa pantomima: exultei com a falsa condenação dos poderosos.

E os poderosos, logo em seguida, exultaram com a clemência da procrastinação embromada e inocentatória dos embargos infringentes, no cerne absolutório.

Foram perfeitas a tragédia e a comédia engendradas e encenadas pelo veterano ministro Celso de Mello e pelo STF.

Descansam em paz os mensaleiros principais que não vão para a cadeia. Descansa em paz a opinião pública que imaginou que se fez justiça ao serem condenados interinamente os mensaleiros.

Só não descansa em paz a Justiça como instituição, que fica com a fama de continuar a não fazer justiça.

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Foram quase R$ 180 milhões que foram para os bolsos dos mensaleiros, furtados da bolsa popular e que agora, num passe de mágica, sumiram, não existiram, viraram pó.

Que papel, ministro Celso de Mello!

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