Aqui você vai conhecer as mazelas que impedem o Poder Judiciário brasileiro de desembainhar a espada da severidade da justiça para cumprir a função precípua da aplicação coativa das leis. Sem justiça, as leis não são aplicadas e deixam de existir na prática. Sem justiça, qualquer nação democrática capitula diante de ditadores, corruptos, bandidos, rebeldes, justiceiros, imorais e oportunistas. O Brasil precisa de uma justiça coativa, proba, célere, séria, confiável e comprometida com as questões nacionais, de direito e de ordem pública, integrada no Sistema de Justiça Criminal.
- Veja no rodapé deste blog a justiça que queremos e a que não queremos no Brasil

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O FIM DOS TEMPOS


ZERO HORA 18 de setembro de 2013 | N° 17557

PAULO SANT’ANA


A única coisa que se espera hoje à tarde é que o voto do ministro Celso de Mello no Supremo seja breve, já que justo se sabe que não será.

O que se espera é que o voto do ministro que falta para fechar a pantomima seja rápido, que ninguém mais aguenta essa embromação de votos tecnicistas e maçantes.

O que se esperaria é que o ministro Celso de Mello pronunciasse um voto que fosse menos aguardado do que a justiça que pudesse prolatar.

Depois que esse voto vier a declarar que o Supremo não é mais a última instância, e sim a penúltima instância de si mesmo, a única esperança que se pode nutrir é de que o voto do ministro não demore horas extenuantes de malabarismos jurídicos empolados que não atingem mais os neurônios de ninguém.

O que se espera desse voto de mérito já antecipado é que seja claro, se é possível que haja clareza ou claridade nessa escuridão de impunidade aberrante.

Só o que se espera desse voto já tão anunciado quanto injusto é que ele venha a se tornar um pepino mais palatável pela rapidez de sua formulação, o chamado voto de Pepino, o Breve.

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Existe só um brasileiro que acredita que o voto de Celso de Mello será hoje contra os embargos infringentes: o Ibsen Pinheiro. Ele crê firmemente o que já ninguém mais crê, que o ministro vai desempatar a contenda contra os réus. O Ibsen me disse ontem que acredita muito no poder do grito das ruas e que o voto, assim, seguirá o rumo ditado pelas multidões.

E afirmei ontem ao Ibsen que o voto de Celso de Mello será a favor dos embargos infringentes, a favor da procrastinação do feito, mas o Ibsen crê no contrário. Pois, então, só me resta torcer para que o Ibsen esteja com a razão a respeito desse seu vaticínio.

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Um dos ministros do STF pelo menos, Luis Roberto Barroso, declarou que votou a favor de mais recursos para os réus, “apesar do clamor das ruas”.

Por que será que as ruas clamam por punição aos mensaleiros? Da minha parte, presumo que o povo já cansou de tanta impunidade, “de tanto ver triunfar a injustiça e o poder nas mãos dos maus”, no dizer de Rui Barbosa.

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Mas é chegada a hora da decisão. Para mim, aliás, a hora foi antes, o que acontece agora é apenas uma tragédia anunciada.

Os meus leitores são testemunhas de que fui o único jornalista brasileiro que antecipou a catástrofe.

Estou torcendo para que o Ibsen tenha razão e eu tenha errado na minha opinião de que hoje será o dia mais negro da história da Justiça brasileira.

E tenho fé tanto na minha opinião de que hoje será o fim dos tempos quanto na esperança de que no futuro novos ventos levem o Brasil para territórios de justiça tão sonhados e como se está vendo jamais alcançados.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Meu otimismo me leva a acreditar na mesma hipótese defendida pelo Ibsen.

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