
NOVO COMANDO NO STF. Mensalão na mira de Ayres Britto. Ao tomar posse, novo presidente do Supremo propôs um pacto com os demais poderes para garantir respeito à Constituição - ZERO HORA 20/04/2012
Será um mandato curto, mas com um objetivo bem definido: julgar o processo do mensalão. Ao tomar posse ontem como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto não poupou referências aos últimos escândalos da esfera política.
O magistrado defendeu o respeito à Constituição e destacou que a norma prega princípios que devem ser observados, como a moralidade e a probidade administrativa. Ele se aposentará em novembro, quando completará 70 anos.
Aproveitando a presença da presidente da República, Dilma Rousseff, e de parlamentares, o novo presidente propôs um pacto entre os três Poderes. O propósito do acordo seria fazer com que todos cumpram a Constituição.
Neste momento, ele afirmou que distribuiria aos convidados, no momento dos cumprimentos, quando todos fazem fila para saudá-lo, exemplares atualizados da Constituição.
A cerimônia, que reuniu mais de duas mil pessoas, segundo assessoria de imprensa do tribunal, começou com o Hino Nacional interpretado pela cantora Daniela Mercury.
Poeta, o novo presidente citou em seu discurso várias metáforas e fez menções holísticas, como o “terceiro olho, o único que não é visto, mas justamente o que pode ver tudo”. Em outro trecho, ao lembrar-se dos pais, afirmou: “São ícones desta minha vida terrena e de outras que ainda terei, porquanto aprendi com eles dois que o nada não pode ser o derradeiro anfitrião do tudo”.
Sobre o Judiciário, Ayres Britto disse:
– É o poder que evita o desgoverno, o desmando e o descontrole eventual dos outros dois não pode, ele mesmo, se desgovernar, se descontrolar.
Ele também fez referência a recentes críticas, feitas até pelo seu antecessor, Cezar Peluso, sobre a tendência do Supremo de julgar de acordo com a opinião pública. Para ele, a Justiça tem que levar em conta as expectativas da sociedade, ao dizer que “juiz não é traça de processo, não é ácaro de gabinete”.
BRASÍLIA | Carolina Bahia. A missão de Ayres Britto
Ministro de rara sensibilidade, Carlos Ayres Britto assume a presidência do STF com a missão de comandar o julgamento do mensalão ainda neste semestre. Se conseguir, já poderá considerar o seu curto mandato de sete meses um sucesso. Afinal, são imensas as pressões políticas para o adiamento do processo. Próceres petistas espalham que o melhor seria não remexer nas entranhas desse caso de desvio de recursos públicos e corrupção. Não foi à toa o discurso cheio de cobranças do presidente da OAB, Ophir Cavalcanti. Com toda a razão, ele lembrou que o tempo não pode ser empecilho para o julgamento e para punição daqueles que agiram contra o patrimônio público. Ao se referir ao parlamento como um balcão de negócios, Cavalcanti tocou na ferida desse escândalo que se arrasta sem solução desde 2005.
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