Aqui você vai conhecer as mazelas que impedem o Poder Judiciário brasileiro de desembainhar a espada da severidade da justiça para cumprir a função precípua da aplicação coativa das leis. Sem justiça, as leis não são aplicadas e deixam de existir na prática. Sem justiça, qualquer nação democrática capitula diante de ditadores, corruptos, bandidos, rebeldes, justiceiros, imorais e oportunistas. O Brasil precisa de uma justiça coativa, proba, célere, séria, confiável e comprometida com as questões nacionais, de direito e de ordem pública, integrada no Sistema de Justiça Criminal.
- Veja no rodapé deste blog a justiça que queremos e a que não queremos no Brasil

quarta-feira, 18 de abril de 2012

FICHA SUJA - ONDA DE AÇÕES TENTA EVITAR DERRUBADA DE CANDIDATURAS


STRIKE ELEITORAL. Especialistas preveem enxurrada de processos contra regras que vão impedir políticos de concorrer. JULIANA BUBLITZ, ZERO HORA 18/04/2012

A campanha nem começou, você provavelmente ainda não definiu seu voto e a campainha da urna só será ouvida em 7 de outubro, mas uma suspeita já virou certeza no meio jurídico: a eleição de 2012 será a “eleição dos tribunais”. Devido à estreia da Lei da Ficha Limpa e à recente decisão de barrar os candidatos que tiveram contas rejeitadas no pleito anterior, uma guerra judicial é esperada para os próximos seis meses no país. E pode se arrastar por anos.

O tema, que permeará os debates do 1º Congresso Nacional de Direito Eleitoral – com abertura hoje, na Capital –, é motivo de expectativa.

– Com as novas regras, o nível de impugnações vai tomar um vulto extraordinário, e a consequência disso, sem dúvida, será uma enxurrada de ações judiciais. Alguns casos poderão ficar sub judice por muito tempo – projeta o advogado Antônio Augusto Mayer dos Santos, professor da Escola Superior do Ministério Público.

Considerada uma das causas da explosão de recursos prestes a congestionar os tribunais, a Ficha Limpa tem pelo menos uma brecha: o chamado efeito suspensivo, uma espécie de antídoto para os fichas-sujas. Se as previsões pessimistas se confirmarem, o dispositivo deverá ser superexplorado.

O outro fator que promete gerar controvérsia é a resolução do TSE que muda a interpretação sobre a prestação de conta dos candidatos. Até então, bastava apresentar a contabilidade da campanha para assegurar o direito de concorrer. Agora, será exigida a aprovação. Isso significa que 21 mil políticos poderão ser impugnados no país. Significa, também, que a maioria deles recorrerá à Justiça.

– Há candidatos que estão inelegíveis e nem sabem, e isso vai dar problema. Muitos acham que a inelegibilidade só acontece se tiverem os direitos políticos cassados, mas as coisas mudaram – alerta o coordenador do evento, o advogado Décio Itiberê.

O clima é de preocupação entre juízes e promotores.

– Como é matéria nova, muitas situações vão surgir. E isso pode trazer uma certa insegurança jurídica – avalia o coordenador do Gabinete de Assessoramento Eleitoral do MP, José Francisco Seabra Mendes Júnior.

A saída para o impasse, na opinião do professor da Escola Superior da Magistratura, promotor Rodrigo Zilio, é apelar para o bom senso das siglas:

– Para evitar a avalanche recursal, os partidos têm de fazer a sua parte. Cabe a eles não dar legenda a candidatos em situação duvidosa, porque ninguém concorre avulso.


“Teremos muito trabalho”. Gaspar Marques Batista, vice-presidente do TRE

Juiz há 37 anos, o vice-presidente e corregedor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Gaspar Marques Batista, vê com preocupação a ampliação de ações judiciais no período eleitoral, mas garante que o órgão está preparado. Confira o resumo da entrevista:

Zero Hora – O risco de uma onda de recursos nas eleições deste ano preocupa?

Gaspar Marques Batista – Preocupa muito. Nas eleições de 2008, tivemos mais de 400 recursos na matéria de registro de candidatos. Este ano, esperamos 30% a 40% a mais.

ZH – O TRE está preparado para uma onda de ações de candidatos?

Batista – Sim. A partir de julho, faremos sessões diárias. Entendemos que esses embates fazem parte da democracia. Teremos muito trabalho, mas vamos dar conta da demanda.



Evento na Capital

- O que: 1º Congresso Nacional de Direito Eleitoral - A Democracia, da Lei ao Voto
- Onde: Teatro do CIEE, em Porto Alegre (Rua Dom Pedro II, nº 861)
- Quando: de hoje a sexta-feira
- Quanto: R$ 250 para estudantes e R$ 500 para advogados (inscritos na OAB/RS têm desconto)
- Mais informações: www.congressodireitoeleitoral.com

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