Aqui você vai conhecer as mazelas que impedem o Poder Judiciário brasileiro de desembainhar a espada da severidade da justiça para cumprir a função precípua da aplicação coativa das leis. Sem justiça, as leis não são aplicadas e deixam de existir na prática. Sem justiça, qualquer nação democrática capitula diante de ditadores, corruptos, bandidos, rebeldes, justiceiros, imorais e oportunistas. O Brasil precisa de uma justiça coativa, proba, célere, séria, confiável e comprometida com as questões nacionais, de direito e de ordem pública, integrada no Sistema de Justiça Criminal.
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terça-feira, 29 de maio de 2012

CERTEZAS E INSINUAÇÕES

ZERO HORA 29 de maio de 2012

PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA

 

Na falta de uma gravação que tire a teima sobre o que de fato o ex-presidente Lula conversou com o ministro Gilmar Mendes no escritório de Nelson Jobim, em 26 de abril, resta aos brasileiros conjecturar sobre as versões e as motivações de cada um dos personagens. Certeza mesmo só se tem de que o encontro ocorreu e foi intermediado por Jobim, que é (ou era) amigo dos dois.

A assessoria de imprensa de Lula divulgou nota comentando “a reportagem da revista Veja publicada nesse final de semana, que apresenta uma versão atribuída ao ministro do STF, Gilmar Mendes”. Já não se trata de versão atribuída ao ministro: o próprio Mendes deu entrevista à repórter Adriana Irion confirmando os principais pontos da reportagem. Essa versão já tinha sido desmentida na véspera por Jobim, também ele ex-presidente do STF. Conclusão: alguém está mentindo ou distorcendo o que aconteceu entre quatro paredes.

Juntando a nota do presidente com as entrevistas de Jobim e de Mendes, que se diz constrangido, tem-se uma série de perguntas não respondidas. Por que Lula mandou chamar o ex-presidente do Supremo ao escritório de Jobim? Por que Mendes foi? Lula pediu a intervenção do ministro para adiar o julgamento do mensalão ou apenas expressou sua preocupação com o efeito na eleição municipal? Houve oferta explícita de blindagem a Mendes na CPI do Cachoeira ou apenas uma insinuação sobre as ligações dele com Demóstenes Torres? A quem interessa semear confusão em meio à CPI e às vésperas do julgamento do mensalão?

Se o ex-presidente pediu o encontro com Gilmar em busca de apoio à cruzada para adiar o julgamento, não devia estar em seu perfeito juízo nesse dia. Seria muita ingenuidade imaginar que esse tipo de encontro não vazaria. Ou será que existe um núcleo comum nessa conversa, que cada um interpretou a seu modo?

Lula pode conversar com quem quiser, inclusive com os ministros do Supremo Tribunal Federal. O que não pode é o ex-presidente tentar influenciar nos julgamentos ou os ministros tomarem decisões orientados por quem quer que seja.

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