Aqui você vai conhecer as mazelas que impedem o Poder Judiciário brasileiro de desembainhar a espada da severidade da justiça para cumprir a função precípua da aplicação coativa das leis. Sem justiça, as leis não são aplicadas e deixam de existir na prática. Sem justiça, qualquer nação democrática capitula diante de ditadores, corruptos, bandidos, rebeldes, justiceiros, imorais e oportunistas. O Brasil precisa de uma justiça coativa, proba, célere, séria, confiável e comprometida com as questões nacionais, de direito e de ordem pública, integrada no Sistema de Justiça Criminal.
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quinta-feira, 26 de julho de 2012

ÉTICA PÚBLICA E PRIVADA

ZERO HORA 26 de julho de 2012 | N° 17142

PÁGINA 10 | LETÍCIA DUARTE (Interina)

Mais do que perplexidade, as palavras do presidente estadual do PT, Raul Pont, sobre a Justiça Eleitoral suscitam uma profunda reflexão ética. Ditas por ele durante evento na sede do partido em Sapiranga, no fim de semana, a frase nós não controlamos esse bando de sem-vergonha que compõe o Tribunal Eleitoral, soa tão descabida que, se não tivesse sido gravada em vídeo pelo celular de um dos mais de 30 companheiros que o assistiam, seria difícil acreditar que foi pronunciada por um dos políticos mais respeitados do Estado.

Tão espantosa como o conteúdo foi a reação de Pont. Em vez de lamentar o arroubo verbal, ao ser procurado pela coluna após o vazamento do vídeo, primeiro disse que não recordava, depois criticou o fato de a gravação não ter sido autorizada e afirmou que a Página 10 estava “praticando um jornalismo marrom e vagabundo” ao repercuti-la.

Em nota divulgada ontem, Pont amenizou o tom, reafirmando sua “posição histórica de luta e defesa do Estado Democrático de Direito” . Explicou que o fato ocorreu “em um ambiente privado”, “num momento de profunda consternação e revolta da militância partidária, tomada pelo sentimento de injustiça ao ter que trocar o candidato a prefeito do PT, eleito em prévias partidárias”. Isso porque o candidato foi apontado como inelegível por não ter prestado contas de campanha em 2010, apesar de ter desistido de concorrer naquele ano. “Neste contexto, as palavras usadas para conter militantes exaltados revelam-se impróprias apartadas daquele ambiente”, justificou. E, mais uma vez, termina dizendo que lamenta profundamente as “posturas antiéticas – traduzidas numa gravação clandestina e ilegal – que levaram a público um debate interno e ocorrido no plano privado”.

Em outra nota divulgada ontem sobre o episódio, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul manifestou seu repúdio à “falta de compostura” do deputado: “Tentando justificar a decisão partidária de não recorrer do indeferimento do registro de uma candidatura a prefeito no município, o parlamentar e presidente estadual do PT preferiu ofender, de forma leviana, a respeitabilidade dos integrantes da Corte Eleitoral gaúcha”, criticou.

O episódio deixa perguntas no ar. Um homem público com o peso político de Pont deve adotar discursos diferentes em ambientes partidários e abertos ao público? Um ambiente com dezenas de pessoas pode ser considerado um ambiente privado? Existe uma ética pública e outra privada? E outra questão central: o PT tem a pretensão de controlar a Justiça? Melhor acreditar que foram apenas declarações impensadas.

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