Aqui você vai conhecer as mazelas que impedem o Poder Judiciário brasileiro de desembainhar a espada da severidade da justiça para cumprir a função precípua da aplicação coativa das leis. Sem justiça, as leis não são aplicadas e deixam de existir na prática. Sem justiça, qualquer nação democrática capitula diante de ditadores, corruptos, bandidos, rebeldes, justiceiros, imorais e oportunistas. O Brasil precisa de uma justiça coativa, proba, célere, séria, confiável e comprometida com as questões nacionais, de direito e de ordem pública, integrada no Sistema de Justiça Criminal.
- Veja no rodapé deste blog a justiça que queremos e a que não queremos no Brasil

terça-feira, 1 de novembro de 2011

OS JUÍZES E O BISPO

WANDERLEY SOARES, REDE PAMPA, O SUL
Porto Alegre, Terça-feira, 01 de Novembro de 2011.


Dom Dadeus tem complexo de Antônio Vieira

Condenado a pagar R$ 940 mil por danos morais a uma família do interior de São Paulo, o arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, fora dos autos do processo a que responde, como prelado e como cidadão, investiu, de forma generalizada, contra o Poder Judiciário do País, instituição que ele passou a considerar como um "ente corrompido". Não é a primeira briga que Grings compra, fora dos autos e em causa própria, contra o Judiciário. Não faz muito tempo ele se insurgiu contra uma decisão do desembargador José Aquino Flores de Camargo, coloradíssimo e atual 1 vice-presidente do Tribunal de Justiça do RS e um dos candidatos à presidência desta corte, magistrado que sempre foi favorável à permanência nas paredes das salas de sessões de julgamento do Cristo crucificado. Sobre esses arroubos de Grings, aqui, na solidão da minha torre, como um humilde marquês, cheguei a uma conclusão muito pessoal. Dom Dadeus tem complexo de Antônio Vieira. Sigam-me

Vestais

Ora, meus caros, esta pendenga obriga-me a lembrar de uma sentença da filosofia popular que vale para todas as instituições: os padres se constituem numa coisa e, outra coisa é a Igreja. Dentro do mesmo raciocínio, os magistrados se constituem numa coisa e, outra coisa, é a Justiça. Nenhuma instituição é constituída de vestais. A sotaina não faz o santo nem a toga faz o justo. Isso não dá a nenhum de nós o direito de, ao criticar o padre, derramar sobre toda a Igreja a mesma chama e, por evidência, ao discordar do magistrado, que pensa que é Deus, entender que todos os juízes se sintam avatares. Numa linguagem chã, é de bom alvitre recomendar que juízes e bispos conduzam seus andores com máximo cuidado, pois, sabidamente, o santo é de barro e a justiça é cega.

Judiciário laico

Dentro desta moldura, até gostei da manifestação da Associação dos Juízes do RS, assinada pelo seu presidente, João Ricardo dos Santos Costa, embora não seja uma entidade, por exemplo, que entenda, plenamente, a linguagem dos jornalistas. Eis a mensagem dos juízes:

"A Ajuris vem a público manifestar toda a indignação da Magistratura gaúcha em face das declarações do Arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, que atribui ao Poder Judiciário a condição de ente corrompido, impulsionado por ter sido condenado em ação de indenização por fato que lhe foi imputado, ocorrido na cidade de Mogi Guaçu (SP). Esta prática adotada pelo Arcebispo está cada vez mais disseminada no Brasil, notadamente quando o Judiciário decide em desfavor de segmentos que desfrutam de poder diferenciado na sociedade. É necessário que a cidadania perceba que um país, para ser substancialmente democrático, deve contar com um Poder Judiciário laico, imparcial e independente. Lamentavelmente, alguns quadros da vida pública ainda não se deram conta do quanto é importante tal condição para uma nação. Reiteramos que a postura inquisitorial do Arcebispo é inaceitável. Da mesma forma, registramos o grande respeito que temos pela Igreja Católica, e todas as outras religiões. Entretanto, não podemos admitir que qualquer religioso, em nome de sua crença, insulte pessoas e instituições de forma arbitrária, numa quase retrospectiva da inquisição medieval. A Ajuris sempre exigirá pronta apuração de qualquer irregularidade no Poder Judiciário, mas não admitirá a ofensa generalizada e irresponsável, de qualquer autoridade, simplesmente pelo fato de ter seus interesses contrariados por decisão judicial. Repudiamos tal comportamento pelos evidentes danos que causa à democracia"

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