Aqui você vai conhecer as mazelas que impedem o Poder Judiciário brasileiro de desembainhar a espada da severidade da justiça para cumprir a função precípua da aplicação coativa das leis. Sem justiça, as leis não são aplicadas e deixam de existir na prática. Sem justiça, qualquer nação democrática capitula diante de ditadores, corruptos, bandidos, rebeldes, justiceiros, imorais e oportunistas. O Brasil precisa de uma justiça coativa, proba, célere, séria, confiável e comprometida com as questões nacionais, de direito e de ordem pública, integrada no Sistema de Justiça Criminal.
- Veja no rodapé deste blog a justiça que queremos e a que não queremos no Brasil

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A MELHOR FORMA DE PROTESTAR

ZERO HORA 19 de fevereiro de 2014 | N° 17709

ARTIGOS

por Mario de Albuquerque*


Faltam forças para enfrentar 
de peito aberto um sistema
no qual a justiça é omissa e falha...



Tentei explicar a um amigo estrangeiro que aqui no Brasil um processo no Judiciário pode levar mais de 20 anos, sem jamais chegar ao fim. Ele ouviu a história: ficou incrédulo, sorriu e depois chorou junto.

Muitas vezes, nós, do Aerus, debatemos a melhor forma de protestar, de nos fazermos ouvir, de dizer ao mundo que existimos – e que estamos rapidamente sucumbindo. Alguns, mais desesperados, chegaram a pensar em atitudes drásticas: quem sabe, tomar de assalto as pistas dos aeroportos, onde os nossos comandantes foram soberanos? Avançar sobre as torres de controle, tornando inviável o tráfego aéreo? Invadir os balcões dos aeroportos? Enfim, fazer uma revolução no chão que tanto conhecemos e ajudamos a construir, pedra por pedra. Tentativas pacíficas já aconteceram, com êxito relativo – colega em greve de fome no aeroporto, passeatas, tudo dentro da Constituição, sem prejuízo a terceiros, mas sem nenhum resultado concreto.

A grande maioria dos veteranos ainda traz no peito a insígnia do Ícaro e os ensinamentos deixados por Berta, pelos quais o funcionário era a alma da instituição, com todos os seus direitos respeitados, até as últimas consequências. Falta coragem para sermos violentos, atitude que sempre repudiamos. Faltam forças para enfrentar de peito aberto um sistema no qual a Justiça é omissa, falha e sempre encontra um artifício para protelar uma sentença vitoriosa. Estamos vivendo, não mal comparando, a batalha travada entre a pequena Varig de então, dos anos 60, com a gigantesca Panam, na ocasião a maior empresa aérea do mundo, quando da abertura da linha de Nova York. Foi a chamada guerra David x Golias, que vencemos pela barriga, graças a um espetacular serviço de bordo. Hoje, os fatos quase que se repetem – só que estamos, agora, de barriga vazia e a vitória parece cada vez mais distante, beirando a inanição.

Com votos favoráveis nos três processos – defasagem tarifária, previdência complementar e terceira fonte –, o primeiro dando ganho à causa, com voto exemplar proferido pela ministra Cármen Lúcia, recebendo um até hoje inexplicável pedido de vista do presidente Joaquim Barbosa (que conhece o assunto nos mínimos detalhes); os outros dois parados no Tribunal Regional de Brasília, sem expectativa de andamento. A presidenta Dilma, que sempre nos visita, tem a grande oportunidade de rever a questão do Aerus e liderar um acordo entre as partes, capaz de pôr fim a tanto sofrimento e expectativa. Segundo Rousseau: “Tudo é absurdo, mas nada é chocante, porque todos se acostumam a tudo”.


*JORNALISTA APOSENTADO VARIG/AERUS

Nenhum comentário:

Postar um comentário