
RECADO A BARBOSA
Tarso critica STF e insinua postura com “fins políticos”. Governador disse que “espetacularização” de ações de fiscalização estimula o avanço da corrupção
O governador Tarso Genro (PT) teceu críticas ao “protagonismo excessivo” de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ontem, em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS). Sem citar nomes, mas em clara referência ao presidente da Corte, Joaquim Barbosa, o petista disse que, por trás desta postura, estão, muitas vezes, “fins políticos não transparentes”.
A afirmação ocorreu no momento em que o petista listava fatores que estimulam a corrupção, como a “espetacularização” de ações de combate a práticas irregulares. Relator do mensalão, Barbosa – que nega ser candidato – dobrou as intenções de voto ao atingir 15% na última pesquisa sobre a sucessão presidencial realizada pelo Datafolha, realizada após a onda de protestos pelo país.
Questionado sobre a declaração, Tarso disse que falou, em tese, de todos os presidentes do STF.
– No Brasil, os ministros têm um hábito equivocado de dar muita entrevista sobre temas polêmicos e que estão em trânsito dentro do STF. Isso se torna um elemento de opinião pública e, depois, influi sobre o próprio Supremo, produzindo espécie de julgamento antecipado – explicou.
A reunião do Conselhão teve a presença dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage. O Piratini assinou quatro convênios e termos de cooperação com a União para ampliar instrumentos de controle público e reforçar ações de combate à corrupção.
Bandeira petista, o financiamento público de campanhas eleitorais foi defendido pelos dois ministros e pelo governador durante seus discursos.
– O financiamento eleitoral privado é a porta de entrada para a corrupção no país – afirmou Cardozo.
O ministro citou progressos obtidos nos últimos 10 anos e classificou como falsa a sensação de aumento da corrupção no país, que decorreria do avanço em transparência. Cardozo ainda ressaltou que o Brasil vive um processo de transformação sem volta.
Após apresentar medidas adotadas pelo governo federal, o ministro-chefe da CGU salientou a necessidade de simplificar o trâmite de processos judiciais, cuja legislação considera “uma das mais atrasadas do mundo”.
CLEIDI PEREIRA
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