Aqui você vai conhecer as mazelas que impedem o Poder Judiciário brasileiro de desembainhar a espada da severidade da justiça para cumprir a função precípua da aplicação coativa das leis. Sem justiça, as leis não são aplicadas e deixam de existir na prática. Sem justiça, qualquer nação democrática capitula diante de ditadores, corruptos, bandidos, rebeldes, justiceiros, imorais e oportunistas. O Brasil precisa de uma justiça coativa, proba, célere, séria, confiável e comprometida com as questões nacionais, de direito e de ordem pública, integrada no Sistema de Justiça Criminal.
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

SEM VONTADE DE PERMANECER NO JUDICIÁRIO

APÓS DEMISSÃO. “Não tenho vontade de permanecer no Judiciário”. ENTREVISTA: Marcelo Colombelli Mezzomo, juiz demitido - LUCIANA RODOLPHI | RBS TV, ZERO HORA 09/02/2011

RBS TV – O senhor vai recorrer da decisão?
Marcelo Colombelli Mezzomo – Não. Já havia dito à vice presidência do TJ, há alguns meses, que, pra mim, o que decidissem estava bem decidido. Não contratei advogado, e até deixei de me manifestar no processo. Não tenho nenhuma vontade de permanecer no Judiciário. Em dezembro, já havia pedido exoneração, e não foi pra escapar dos processos. É porque realmente não quero mais estar no Judiciário. É só um cargo público. Vivi antes dele e vou continuar a viver sem ele. Mas se é transparência que se busca com a divulgação da decisão, pergunto: por que não são divulgadas todas as punições e decisões sempre? Ou se divulga todas, ou nenhuma. Acho que todas deveriam ser divulgadas sempre.

RBS TV – Qual a sua versão sobre o que ocorreu na sorveteria?

Mezzomo – A que está no processo. Agora que divulgaram quase todo, apesar de correr em sigilo, o que me causa estranheza, é fácil ir lá e ver.

RBS TV – A dona da sorveteria chegou a mencionar que talvez o senhor estivesse sob a influência de drogas. O que tem a dizer sobre isso?
Mezzomo – Lamentável o comentário dela. Nunca usei drogas. Acho uma maneira covarde de fugir da realidade. Se quiserem, faço qualquer teste a qualquer hora. Aliás, perguntem do meu trabalho contra as drogas em Erechim, onde lancei campanha pioneira contra o crack, em março de 2008, e das 53 palestras que ministrei em 18 municípios de quatro comarcas daquela região nos menos de dois anos em que lá trabalhei, todas gratuitas e algumas delas à noite, em comunidades longínquas. Nestas palestras, que não se encontravam dentro das minhas atribuições funcionais, mas que de bom grado ministrei, sem nada receber em troca que não o reconhecimento dos presentes, e às custas dos meus horários de folga, deixei bem clara minha posição em relação às drogas. Não usei, não uso e não usarei drogas, e falo para quem posso e sempre que posso, para dizer não sempre a qualquer droga, que hoje é a grande causa da criminalidade e da desagregação familiar.

RBS TV – O que aconteceu entre o senhor e a atendente?

Mezzomo – Absolutamente nada. Nem a conheço. O local era público, estava aberto e tinha mais gente lá. Não ofendi ninguém e sequer mencionei quem eu era. Se ficaram sabendo, não foi por minha boca. Nunca fiz questão de dizer minha profissão. Como disse, é só um cargo público.

RBS TV – O senhor está exercendo alguma outra atividade profissional no momento?

Mezzomo – Não, e nem posso. Enquanto servidor público, estou submetido às limitações do cargo, não podendo exercer outras atividades profissionais. Apenas tenho escrito um livro de ficção e estudado Física. Nada mais.

A NOTÍCIA:

Juiz demitido nega conduta imprópria e diz não ter vontade de continuar no Judiciário. Magistrado perdeu o cargo por supostos comentários impróprios dirigidos a funcionária de sorveteria em Três Passos - Zero Hora Online, Justiça | 09/02/2011 | 03h57min

Na terça-feira, ganhou dimensão nacional a notícia do primeiro juiz gaúcho a ser demitido, após ter respondido a processo administrativo no Tribunal de Justiça do Estado (TJ). Marcelo Colombelli Mezzomo, que até 2010 atuava na comarca de Três Passos, perdeu o cargo por supostos comentários impróprios dirigidos a uma funcionária de uma sorveteria. Em entrevista por e-mail à RBS TV, o magistrado negou a conduta imprópria e disse que não vai recorrer. Mezzomo já havia sofrido censura por envolvimento em acidente de trânsito e era alvo de outros processos por conduta inconveniente.

3 comentários:

  1. Com certeza, foi uma pena pesada demais, quando se fala em transparência, divulgando essa decisão do Tribunal que tomou proporções nacionais, deveria-se divulgar também, os outros processos em que o ex-magistrado estaria envolvido. Pelo que tenho pesquisado sobre o Sr. Mezzomo, não se trata de uma pessoa leviana e sim de um funcionário competente e defensor de suas próprias idéias e posições. Isso é crime em um país democrático? Se fosse ele, recorreria, sim, mesmo que fosse pra pedir a demissão depois, pois li os comentários em seu art sobre a Lei Maria da Penha e constatei que outros profissionais da área da justiça estão de acordo com a posição dele! Quem faz campanha contra a droga e carrega pedras em uma mochila, treinando fora do expediente, não me parece ser de todo errado!

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    1. kkkkkkkkkkk. Quer dizer então que ele, JUIZ, que decide vidas... Pode ter uma postura desse tipo? Aff.... Uma conduta dessas nem um peão de obra pode ter... É o que eu penso, na esfera democrática. RUA JUIZ SEM POSTURA!!!
      TARADÃO!!!

      Ah... E torça pra voce não arrumar um COMPANHEIRO que te agrida fisicamente, moralmente, e que te deixe paraplégica = a própria Maria da Penha, porque, aí, voce vai entender a fonte dessa LEI.

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  2. Concordo contigo Ana. Foi desproposital a pena. Há juizes que vendem sentenças, desviam recursos públicos e estão vinculados à mafiosos que são simplesmente aposentados com salários próximos ao teto. É só olhar as notícias postadas neste blog. Se for doença, a instituição deve tratar e não simplesmente abandonar. Esta sendo parcial, pois a justiça é pródiga de aplicar penas brandas e conceder benevolências para a bandidagem que são soltos sob argumento de que o tratamento nos presídios é desumano. Ora, se o tratamento é desumano, há crime contra os direitos humanos passível de processo e impeachment do Chefe do Executivo. O judiciário não enxerga ou é conivente com isto? Ah! Não se pode afrontar a classe política, pois dela depende a aprovação dos diferenciados reajustes salariais. Esta é a justiça brasileira, cada vez mais subserviente, desacreditada, parcial, morosa, divergente e que gosta de interpretar a lei segundo convicções pessoais. O juiz Mezzomo deveria recorrer ir à julgamento para que seu nome e sua honra não fiquem manchadas. A não ser que se considere culpado.

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