
Após 10 anos, pai de jornalista Sandra Gomide não crê em prisão de ex - JB Online, 20/08/2010.
SÃO PAULO - Dez anos após a morte de Sandra Gomide, o pai da jornalista, João Gomide, 72 anos, duvida da possibilidade de ver a prisão do autor do crime, Antônio Marcos Pimenta Neves, ex-namorado e colega de trabalho de sua filha. "Não acredito em nada. Muito menos na Justiça brasileira. Nessa, nunca. Acho que vou morrer sem ver Pimenta preso. Ele está condenado, mas não foi preso", disse João.
Sandra morreu no dia 20 de agosto de 2000, no Haras Setti, em Ibiúna, a 64 km de São Paulo. Na época, ocupava o cargo de editora de economia do jornal O Estado de S.Paulo e havia rompido o namoro, poucas semanas antes, com Pimenta Neves, então diretor de redação do jornal. Segundo a denúncia, o jornalista matou a ex-namorada com dois tiros. Em maio de 2006, ele foi condenado a 19 anos, dois meses e 12 dias de prisão pelo crime. Em dezembro do mesmo ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reduziu a pena para 18 anos de prisão. Pimenta Neves aguarda em liberdade o julgamento em instâncias superiores de seus recursos para anular a sentença.
Mesmo sendo réu confesso, Pimenta Neves só poderá ser preso quando não houver mais possibilidades para a defesa recorrer da sentença. Atualmente, cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) decidir sobre dois recursos extraordinários impetrados pelos advogados do jornalista, que pedem a anulação do julgamento que o condenou em 2006.
A defesa alega que as perguntas feitas ao júri teriam sido mal formuladas, fazendo com que fossem influenciados a condenar o réu. Se o STF concordar com o pedido dos advogados, Pimenta Neves ficará em liberdade. Caso contrário, o jornalista poderá cumprir pena de 15 anos. Como já ficou 7 meses preso, poderá entrar em regime semiaberto depois de 1 ano e 8 meses de prisão.
Além da decisão judicial, a família de Sandra aguarda uma decisão na vara cível para receber uma indenização no valor de R$ 300 mil por danos morais. O advogado da família, Fábio Barbalho Leite, declarou que a sentença pode sair favorável aos parentes da profissional de imprensa ainda este ano.
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