O SUL, 05/10/2012

WANDERLEY SOARES
Todos nós estamos assustados e eles estão sorridentes, em liberdade.
Os jovens bandidos que assaltaram e balearam, em pleno dia, uma médica, terça-feira última, na avenida José Bonifácio, ao lado do Colégio Militar, numa área em que existem mais três escolas, duas igrejas católicas, residências, restaurantes e empresas, quase na frente do Monumento do Expedicionário, não muito longe de um posto da Brigada Militar, junto ao maravilhoso Parque da Redenção, foram libertados, quando a vítima ainda se encontrava hospitalizada, por decisão do juiz Mauro Gonçalves, fundamentada no fato de que o Ministério Público não solicitou a prisão preventiva dos indiciados no episódio. Sigam-me.
O desafio
Ressalto, aqui da minha torre, sempre na condição de um humilde marquês, que a pessoa diretamente atacada pelos bandidos era uma médica, mas poderia ser uma serviçal, uma dona de casa, um encanador, um pianista, um pandeirista e, até mesmo, um juiz. Parece-me importante é que houve um atentado gratuito contra uma vida, contra uma pessoa indefesa e que foi, ao mesmo tempo, um desafio contra as escolas, contra as instituições policiais, contra os empresários, contra os trabalhadores de toda uma área que é um dos cartões postais da nossa Porto Alegre, enfim, contra a sociedade e contra a própria Justiça. Todos nós estamos assustados e os meninos bandidos estão sorridentes e em liberdade. Sigam-me um pouco mais.
Infalibilidade
Em casos que estejam sob a sua guarda específica, os juízes só se pronunciam nos autos. Tirante esta moldura, eles somente falam em tese. Mas quando, em nosso tempo, o clero católico começa e questionar a milenar infalibilidade do Papa é natural que o pedestal da magistratura, que não é divino, sofra rachaduras, não obstante sua ética elevada. Ainda assim, acredito eu, que o juiz que decidiu pela libertação dos meninos bandidos deve ter lido cuidadosamente o inquérito que lhe chegou às mãos e, não obstante à ligeireza da decisão, ela obedeceu não só ao seu conhecimento de Direto Penal, mas, acima de tudo, ao bom senso que a sociedade espera do Judiciário gaúcho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário