Aqui você vai conhecer as mazelas que impedem o Poder Judiciário brasileiro de desembainhar a espada da severidade da justiça para cumprir a função precípua da aplicação coativa das leis. Sem justiça, as leis não são aplicadas e deixam de existir na prática. Sem justiça, qualquer nação democrática capitula diante de ditadores, corruptos, bandidos, rebeldes, justiceiros, imorais e oportunistas. O Brasil precisa de uma justiça coativa, proba, célere, séria, confiável e comprometida com as questões nacionais, de direito e de ordem pública, integrada no Sistema de Justiça Criminal.
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sexta-feira, 14 de junho de 2013

SAÚDE MENTAL DO SERVIDOR DO JUDICIÁRIO

JORNAL DO COMERCIO 14/06/2013



Geraldo Azevedo e Rogério Dornelles



Uma parcela importante dos servidores da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, desde o ano de 2004, e outra, mais recentemente, usam o procedimento eletrônico como o ritual padrão nas lides judiciais. Em pesquisa do Sintrajufe/RS, constatamos que essa nova forma de organizar o trabalho tem agravado os indicadores de saúde no que se refere aos sistemas osteomuscular, visual e psíquico dos servidores. No tocante à saúde mental, utilizamos o SRQ-20 (Self Report Questionare), inventário recomendado pela OMS para rastreamento de transtornos mentais não psicóticos, destinado à detecção de sintomas, e que, por isso, sugere a suspeição de sofrimento mental sem, no entanto, fazer diagnósticos.

A média geral da pesquisa baseada no SRQ-20 foi de 31,8% de testes positivos. Na Justiça Federal o índice foi de 35,8% e, isolando os servidores que trabalham exclusivamente com processo eletrônico, o índice sobe para 38,1%. Ao questionarmos sobre o uso de medicações psicoativas, observamos o mesmo fenômeno. Os servidores da Justiça Federal consomem mais antidepressivos (17,1%), ansiolíticos (12%), remédios para dormir (12%). A partir destes dados, podemos inferir que as doenças psíquicas devam estar entre as principais, senão a principal causa de afastamento do trabalho dos servidores da Justiça Federal do Rio Grande do Sul.

Nossas investigações sugerem algumas hipóteses para explicar esse fenômeno, entre as quais o aumento da quantidade de trabalho, sem correspondente aumento do número de servidores, o estabelecimento de metas inalcançáveis, a presença de dor osteomuscular e alterações visuais. E, completando esse quadro de possíveis agressores à saúde mental, vivemos em uma cultura que premia apenas a excelência e a perfeição, por mais inatingíveis que sejam, contagiando os ambientes de trabalho com extremada competitividade e discriminando os que não atingem os objetivos. A soma desses elementos está produzindo doenças e sofrimento, o que faz de todos nós perdedores, mesmo aqueles que ao atingirem os padrões estabelecidos chegam sem saúde ao final do processo.

Médicos do trabalho e assessores de saúde do Sintrajufe/RS

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