Discreto, Teori já escreveu que impunidade de políticos é 'mito'
DE BRASÍLIA
Na noite de domingo, Teori Zavascki telefonou aos filhos, que moram em Porto Alegre, e os avisou que estava indo para o STF (Supremo Tribunal Federal): "Estou mudando de endereço."
Os filhos entenderam o recado cifrado, comprovação de sua fama de discreto: Teori acabara de conversar com a presidente Dilma Rousseff e aceitar o convite dela.
"Para conseguir arrancar alguma coisa dele tem que ser herói. Ele é bem quietão", diz o filho e advogado Francisco Zavascki, 31. Segundo ele, a discrição no diálogo telefônico é também uma preocupação de seu pai com supostos grampos em Brasília.
Somente no dia seguinte, à tarde, souberam da oficialização da indicação ao STF, por meio do noticiário.
Os filhos Francisco e Liliana mantêm com a mãe e ex-mulher de Teori um escritório de advocacia na capital gaúcha --e que tem causas tanto no STJ (Superior Tribunal de Justiça), onde o pai trabalha, quanto no Supremo.
"Os processos nunca começaram no STJ. Começam aqui e chegam no STJ ou no STF, como em qualquer escritório. Meu pai jamais os julgaria", afirma Francisco.
Teori Zavascki é conhecido pela formalidade na relação com funcionários do gabinete e advogados e pelo rigor processual nas votações. Colegas também ressaltam posições favoráveis à União em questões fazendárias.
O ministro não é de frequentar rodas sociais de Brasília. Aos finais de semana, vai a Porto Alegre visitar os filhos e ver jogos do Grêmio, clube do qual é conselheiro.
Lendo decisões dele no STJ, é possível saber a maneira como pensa sobre alguns temas. Para ele, a improbidade administrativa só existe se for comprovada a má-fé no desvio do dinheiro, por exemplo. E a impunidade de políticos é um "mito".
Editoria de arte/Folhapress

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