Aqui você vai conhecer as mazelas que impedem o Poder Judiciário brasileiro de desembainhar a espada da severidade da justiça para cumprir a função precípua da aplicação coativa das leis. Sem justiça, as leis não são aplicadas e deixam de existir na prática. Sem justiça, qualquer nação democrática capitula diante de ditadores, corruptos, bandidos, rebeldes, justiceiros, imorais e oportunistas. O Brasil precisa de uma justiça coativa, proba, célere, séria, confiável e comprometida com as questões nacionais, de direito e de ordem pública, integrada no Sistema de Justiça Criminal.
- Veja no rodapé deste blog a justiça que queremos e a que não queremos no Brasil

quinta-feira, 13 de março de 2014

SETE ANOS DEPOIS, EM LIBERDADE PODENDO APELAR

ZERO HORA 13 de março de 2014 | N° 17731


TAÍS SEIBT

SETE ANOS DEPOIS. Mulher é condenada por premeditar assassinato. Para Justiça, Maria Aparecida Castilhos armou emboscada para o marido


Quando o mecânico Anísio Nunes de Castilhos, então com 45 anos, desembarcou no Aeroporto Salgado Filho no dia 2 de janeiro de 2007, Maria Aparecida Dambros de Castilhos o aguardava no saguão. Era o reencontro do casal após quatro anos de contato apenas por telefone e internet. A felicidade nem durou o tempo de chegar até Cidreira, no Litoral, onde Castilhos iria entregar aos filhos os presentes que trazia dos Estados Unidos: um notebook e jogos de videogame.

Ocarro do casal foi abordado por dois homens na Rua Ary Tarragô, zona norte da Capital, e o mecânico foi morto com três tiros. A dupla fugiu sem levar nada. Meses depois, a Polícia Civil revelou que o aparente latrocínio (roubo com morte), que chocou até o secretário de Segurança da época, se tratava de uma emboscada planejada por Maria, hoje com 48 anos, e seu amante, Júnior Cezar Boita, 34. Com outros três homicídios e tráfico de drogas na sua ficha criminal, Boita foi preso pela primeira vez em 1998 e tem pelo menos quatro fugas no seu histórico. A última, foi registrada em 2011, quando cumpria pena pelo assassinato de Castilhos. Está foragido até hoje.

Maria ficou presa preventivamente entre janeiro de 2008 e junho de 2009. Desde então, respondia ao processo em liberdade. Somente na noite de terça-feira a viúva foi a júri popular e recebeu a sentença da juíza Cristiane Busatto Zardo: 15 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado. Como ainda cabe recurso, Maria segue livre. As partes têm cinco dias para recorrer da decisão. Os advogados assistentes de acusação Lúcio de Constantino e Gustavo Geminagni pretendem recorrer para aumentar a pena de Maria. A advogada da acusada, Karla da Costa Sampaio, também contestará a decisão.

– Vamos pedir para anular o júri. Alguns documentos não foram aceitos e isso significa cerceamento de defesa – argumenta Karla.

O irmão da vítima, Vitor Castilhos, 53 anos, que vivia nos Estados Unidos quando o crime ocorreu, saiu satisfeito com a sentença para a ex-cunhada.

– Meu sentimento é de justiça, não de ódio, até porque tenho dois sobrinhos e a tragédia é de todos. Todos nós fomos julgados e condenados – desabafa o irmão da vítima.

Desde o crime, Vitor nunca mais falou com Caroline, 22 anos, e Eduardo, 14. A sobrinha disse que preferia não tocar no assunto. Vitor respeitou, mas agora pretende contatar os sobrinhos.


RELEMBRE O CASO

Veja o desenrolar do crime que aconteceu em 2007, na Capital


02/01/2007 - Após quatro anos nos Estados Unidos, o mecânico Anísio Nunes de Castilhos, 45 anos, desembarcou no Aeroporto Salgado Filho para voltar a viver com a mulher e os dois filhos. Na noite do desembarque, o carro do casal foi abordado por ladrões na Avenida Ary Tarragô, na zona norte da Capital. O mecânico tentou escapar e acabou atingido por três tiros nas costas e um na nuca. Os bandidos, que estavam a pé, fugiram sem levar nada do carro. Maria Aparecida Dambros de Castilhos nada sofreu.
03/01/2007 - No dia seguinte à ocorrência, em entrevista a ZH, o então secretário da Segurança Pública, Enio Bacci, disse que o crime era absurdo e pediu prioridade nas investigações.

31/01/2007 - O delegado Antonio Guimarães recebeu em seu gabinete uma pessoa que disse que Maria tinha um caso com um homem chamado Boita, velho conhecido da polícia à época. Antes, e-mails de amigos e colegas do mecânico nos EUA já indicavam que Castilhos queria voltar ao Brasil, mas enfrentava resistência de sua mulher.

JULHO DE 2007 - Confrontada com as provas reunidas pela polícia, Maria admitiu ter tido um relacionamento com Boita, que conheceu em 2005, em Cidreira, e decidiu contar, em detalhes, que armou, ao lado do amante, uma emboscada para o marido. Mas disse que o objetivo não era a morte dele, e sim roubar os equipamentos eletrônicos e o dinheiro que ele trazia na bagagem. Boita foi preso preventivamente.
ABRIL DE 2009 - Boita é condenado a 18 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado e começa a cumprir pena na Pasc.

AGOSTO DE 2011 - Quatro meses depois de progredir para o regime semiaberto, Boita foge do Patronato Lima Drummond, na Capital. Segue foragido até hoje.

11/03/2014 - Sentença da juíza Cristiane Zardo condena Maria Aparecida a 15 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado. Aguarda, em liberdade, período de apelação.

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