Aqui você vai conhecer as mazelas que impedem o Poder Judiciário brasileiro de desembainhar a espada da severidade da justiça para cumprir a função precípua da aplicação coativa das leis. Sem justiça, as leis não são aplicadas e deixam de existir na prática. Sem justiça, qualquer nação democrática capitula diante de ditadores, corruptos, bandidos, rebeldes, justiceiros, imorais e oportunistas. O Brasil precisa de uma justiça coativa, proba, célere, séria, confiável e comprometida com as questões nacionais, de direito e de ordem pública, integrada no Sistema de Justiça Criminal.
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sexta-feira, 5 de maio de 2017

O PROBLEMA É A CAPA



ZERO HORA 05 de maio de 2017 | N° 18837


DAVID COIMBRA



O problema é a capa



Aqueles caras do Supremo usam capa para trabalhar. Isso deve ser muito legal. Quando guri, mal acordava e já amarrava uma toalha no pescoço. Saía por aí de capa. Era super-herói.

Cá para nós, herói, se é “super”, tem que vestir capa. Garanto que, se você arrancar a capa do Super-Homem, ele não voa mais.

O Batman. O Batman é o que é por causa daquela baita capa dele, a melhor capa dentre todos os “supers” do mundo. Ela é gigante e picotada embaixo. Quando o Batman bota os braços debaixo dela e a abre, os bandidos se apavoram, pensam que é um morcego do tamanho de um pterodátilo que vai atacá-los. Além disso, a capa serve de paraquedas. Sensacional.

Olhe para o Robin. O Robin é um sub-herói. Então, a capa dele é pela metade. Igual às capas dos ajudantes dos ministros do Supremo. Super-herói: capa frondosa, se derramando até os calcanhares. Auxiliar de herói: capinha roçando no cóccix.

O Homem-Aranha só não voa porque não tem capa. O Capitão América também.

Tempos atrás, existia um tipo de filme chamado “de capa e espada”, do qual o Zorro era o maior expoente. O que seria do Zorro sem sua capa?

Os ministros do Supremo são senhores em idade provecta. Deviam adorar o Zorro, com sua grande capa, e o Capitão Marvel, que começou com uma capa curta, é verdade, mas que foi aumentando com o tempo. O mais novo, o Alexandre de Moraes, provavelmente via desenhos do Batfino, que apregoava:

– Minha capa é como uma couraça de aço!

Trabalhar de capa deve ser algo especial. Fico imaginando: eu, repórter, chegando a uma cobertura de bloquinho, caneta e capa. O respeito com que iam me olhar. Credo.

O problema é que talvez ficasse exibido demais. Se um sujeitinho sem capa me afrontasse, eu torceria a boca para ele e desdenharia:

– Moleque!

Ah, ele quer combater o crime? Ah, ele está colocando os bandidos na cadeia? Ah, o povo o adora? Ah, ele acha que vai salvar Gotham? Não, senhor! Ponha-se no seu lugar! Vou mostrar o meu poder, vou soltar os bandidos que você prendeu sem mim, vou empregar minha força para acabar com a sua, vou mostrar quem manda!

São assim os homens de capa. São ciosos do seu poder. São como Jeová, o Deus do Antigo Testamento, que era ciumento e não admitia outros além dele.

Homens com esse perfil, se trabalham em um lugar chamado “Supremo”, que não é nada senão o lugar mais alto, o maior, o insuperável, aí, sim, eles se acham os mais altos, os maiores, os insuperáveis.

Homens de capa. Os senhores de Gotham. Os senhores de Metrópolis. Os senhores do Brasil.

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