Aqui você vai conhecer as mazelas que impedem o Poder Judiciário brasileiro de desembainhar a espada da severidade da justiça para cumprir a função precípua da aplicação coativa das leis. Sem justiça, as leis não são aplicadas e deixam de existir na prática. Sem justiça, qualquer nação democrática capitula diante de ditadores, corruptos, bandidos, rebeldes, justiceiros, imorais e oportunistas. O Brasil precisa de uma justiça coativa, proba, célere, séria, confiável e comprometida com as questões nacionais, de direito e de ordem pública, integrada no Sistema de Justiça Criminal.
- Veja no rodapé deste blog a justiça que queremos e a que não queremos no Brasil

sábado, 25 de junho de 2016

O JUIZ É UM SERVIDOR PÚBLICO



ZERO HORA 24/06/2016 - 17h41min

"Não existe democracia sem imprensa livre", afirma ministra do STF Cármen Lúcia. Próxima presidente da Corte ministrou palestra nesta sexta-feira em congresso da Abraji 


Por: Letícia Duarte


Cármen Lúcia (esq.) concedeu palestra no 11º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) Foto: Alice Vergueiro/ABRAJI / Divulgação

Prestes a assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal, em setembro, a ministra Cármen Lúcia defendeu a liberdade de imprensa e a maior transparência do Judiciário em palestra no 11ºCongresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), no final desta manhã.

— Não existe democracia sem imprensa livre. Nenhuma ditadura gosta que as portas sejam abertas, porque é por ali que passa a informação — afirmou, durante apresentação mediada pela jornalista Miriam Leitão, no auditório da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.


Apesar da crise política e econômica, a ministra se mostrou otimista sobre os rumos do país. Discordando da ideia de que a democracia no país estaria em risco, afirmou que as instituições "estão funcionando plenamente". E acredita que o país saberá superar as dificuldades.

— Nossa economia tem problemas, claro, mas temos como resolver. Temos terra fértil, somos o quinto país com mais água do mundo. Temos uma capacidade criativa até para o mal. Se não houvesse democracia nem saberíamos o que está acontecendo, não teríamos chegado até aqui. Vivemos um momento de mudança de paradigma cívico, em que o cidadão se indigna. O cidadão descobriu que o dinheiro que está sendo desviado é dele, que isso é uma injúria cívica, e que todos têm que fazer a sua parte para que isso mude. Isso fortalece a democracia —analisou.

Em uma autocrítica do próprio Judiciário, afirmou que historicamente foi o poder que "menos conversou com o povo", deixando os "juízes enclausurados". E defendeu a importância de mecanismos de transparência, como a divulgação de contracheques de servidores públicos.

— O povo é que paga, o povo tem que saber quanto eu estou recebendo. O juiz é um servidor público. Nada mais, nada menos.

Ao comentar a Operação Lava-Jato, a ministra contestou as tentativas de pressão para influenciar nas decisões dos magistrados.

— Não existe essa petulância de chegar a um juiz que quer que seja desse ou daquele jeito. Esse blefe vai acontecer sempre, mas não terá efeito, porque as decisões são colegiadas — minimizou.

Defendendo o combate à corrupção, recorreu a uma metáfora para encerrar sua fala, lembrando que a aprendeu com sua mãe a combater diariamente ervas daninhas de suas flores.

— Não tenho vocação para erva daninha. O Brasil erva daninha que tantos plantam e colhem e vivem depois ervanário e contas na Suíça, podem perfeitamente deixar de passar, porque eu sei florecer flores — finalizou.

Mais de 130 palestrantes em 70 painéis

Durante a 11ª edição do Congresso da Abraji, que se encerra no fim da tarde de amanhã, mais de 130 palestrantes se revezam para apresentar mais de 70 painéis e cursos sobre temas como cobertura internacional em áreas de risco, corrupção, Operação Lava-Jato, Jogos Olímpicos, como financiar o jornalismo independente, técnicas de reportagem e redação.

Além da palestra de Cármen Lúcia, outro destaque da programação é a presença do crítico de mídia americano e apresentador do podcast On The Media, da NPR, Bob Garfield, que vai encerrar o Congresso, discutindo o futuro da Imprensa.

Zero Hora também está presente nas discussões. Amanhã à tarde, a repórter especial de ZH Letícia Duarte apresentará o painel "Cobertura de crises humanitárias: experiências", das 14h às 15h30min, ao lado do repórter da Folha de S.Paulo Leandro Colon.


POLÍTICA + | Rosane de Oliveira

CARNE DE PESCOÇO 


A pouco mais de dois meses de assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal, a ministra Cármen Lúcia defendeu a liberdade de imprensa e a maior transparência do Judiciário em palestra na sexta-feira no 11º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). em São Paulo:

– Não existe democracia sem imprensa livre. Nenhuma ditadura gosta que as portas sejam abertas, porque é por ali que passa a informação.

Em uma autocrítica ao próprio Judiciário, afirmou que, historicamente, foi o poder que “menos conversou com o povo”, deixando os “juízes enclausurados”.

Questionada sobre os processos movidos por juízes contra jornalistas da Gazeta do Povo que divulgaram contracheques de magistrados, Cármen Lúcia lembrou que, antes de ser lei, revelou seu salário. E comentou:

– É um caso esquisito, para dizer o mínimo. O povo é que paga, o povo tem de saber quanto estou recebendo. O juiz é um servidor público. Nada mais, nada menos.

A mulher que nas gravações de políticos envolvidos na Lava-Jato foi chamada de “carne de pescoço” e de “inconversável” brincou com a fama de durona:

– O que gravaram sobre mim foram comentários de que “em setembro vem aquela mulher, aí vai piorar tudo”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário